Como criar uma reserva de emergência

Os primeiros passos para criares uma rede de segurança como trabalhador independente

Como trabalhador independente, não tens segurança a não ser que sejas tu a criá-la. Sim, tens alguma proteção social do Estado, mas, a curto e longo prazo, só podes contar contigo para ter férias e outros benefícios que trabalhadores por conta de outrém dão como adquiridos.

Criar um fundo de emergência

Com tempo, deves conseguir criar um fundo de emergência, numa conta à parte, que te consiga valer em caso de falta de trabalho. Idealmente o fundo de emergência deve ser igual às tuas despesas durante 3 meses (mínimo) até 12 meses (ideal).

Mas um fundo de emergência não serve só em caso de escassez de trabalho.

Se o carro avariar, se o computador se estragar, que é um dos meus pesadelos, ou mesmo se tiveres despesas de saúde repentinas… O fundo de emergência está lá para te salvar.

O fundo de emergência é dinheiro que tens de parte para te impedir de entrar em pânico em qualquer uma dessas situações.

Por exemplo, se vier uma pandemia. É bom teres um fundo de emergência durante uma pandemia. Eu não tinha um fundo de emergência em Março. Tenho a certeza que, se tivesse, não tinha ficado tão ansiosa.

Segurança financeira também é liberdade

Sei que a perspectiva de juntar o equivalente a 3 meses de despesas pode ser desmotivante, porque olhamos para as nossas contas após impostos e, no geral, é bastante desmotivante, mas não subestimes as vantagens de criares a tua segurança como trabalhador independente.

Vais ter de começar por algum lado.

Pode demorar anos até conseguires criar um verdadeiro fundo de emergência. Mas ele vai estar lá para te dar segurança e liberdade.

Da segurança já falámos, mas como assim liberdade?

Vai-te dar a liberdade de rejeitar um cliente que, se te sentisses no limite, ias aceitar contrariado. A liberdade de não baixares os teus preços porque senão não consegues sobreviver no mês seguinte. E a liberdade, também — se entretanto arranjares um trabalho mais fixo que não te deixa feliz — para te despedires.

No fundo, uma reserva de emergência, dá-te a liberdade para dizer que não.

Além disso, quando deixas de te preocupar tanto com dinheiro, a tua cabeça fica com mais espaço para o que é importante. Para ideias, por exemplo, ou para procurar novos clientes, ou para a vida no geral.

Poupanças a longo prazo

Se calhar vocês não se preocupam com estas coisas de pensar a longo prazo. Mas eu sou aquela pessoa que quando fez 25 anos estava a stressar com a previsão de não ter reforma e teve de abrir uma conta poupança só para isso. Spoiler: essa conta ainda tem pouco dinheiro, mas está lá e vai estar durante muitos anos.

Aproveitamos então a deixa para falar sobre a Reforma de trabalhador independente. Ah! Esse assunto incrível!

Não sofrer, mas precaver

Ou seja, não vale a pena andarmos a lamentar que vai ser baixa, ou que não vai existir quando lá chegarmos, seja o que for. Vale a pena, sim, fazermos poupanças a longo prazo especificamente para conseguirmos ser velhinhos felizes, reformados e realizados.

É possível calcular o valor previsto da reforma no site da segurança social, mas, sinceramente, não aconselho NADA. Vão ficar deprimidos.

Eu não sou nada especialista em investimentos e coisas desse género, por isso o meu conselho é muito básico: ponham dinheiro de lado. Seja numa conta poupança normal, seja num PPR, seja em ETFs ou outras coisas financeiras que me ultrapassam. Ou mesmo debaixo do colchão, quiçá, mas visto que vai lá ficar pelo menos 30 anos, é arriscado, pode ganhar traça, e no banco ao menos rende alguma coisinha.

Poupanças a curto prazo

Assim como deves poupar para a reforma e para emergências, pensa em poupar para objetivos a curto prazo. Quanto mais segurança tiveres como trabalhador independente, mais ambiciosos podem ser os teus objetivos.

Por exemplo, se em 2022 vão querer comprar um computador novo, comecem a pôr já 100€ ou 200€ de lado, sempre que possível. Melhor, o próximo trabalho que fizerem, contem já que, metade do orçamento, vai para ficar de lado para comprar um computador.

Mas oh Sofia, quem é que decide comprar um computador com um ano e meio de antecedência?

Sim, têm toda a razão.

Então pensa nas férias. Como trabalhadores independentes não temos o querido 13ª nem 14ª mês. Deve ser maravilhoso ter subsídio de férias e Natal, já pensaram bem nisso? Que conquista laboral incrível. Mas nós não temos. Por isso, logo desde janeiro, toca a pôr algum dinheiro de lado para tirar uns dias de férias e não dar cabo do orçamento mensal.

Da mesma maneira, podem fazer isso para prendas de Natal. Também podem mostrar à vossa família que são freelancers um pouco falida e dar prendas baratinhas, ou não dar prendas de todo porque já temos todos imensas coisas.

No fundo, podem juntar um pé de meia, como se dizia antigamente, para o que pretendem fazer nos próximos 6 meses. Poupanças não significa esperar uma vida inteira para as usar.

Com tantas poupanças… o que sobra no fim do mês?

Mas oh Sofia… Com tantas coisas para poupar chego ao fim do mês sem dinheiro.

Pois é, sim, mas se parte do teu dinheiro ficar guardado para emergências, e outra parte para situações específicas no futuro e já tiveres pago todas as tuas despesas e lazer, não precisas de mais dinheiro na conta. Aliás, esse é um método muito popular para se poupar dinheiro — incluir as poupanças como uma “despesa” mensal fixa.

Claro que se a maior parte de vocês é freelancer e não organiza o dinheiro como um salário, a ideia de “fim do mês” é um bocado força de expressão. Mas podem usar na mesma esse método e pôr de lado parte de cada trabalho que recebem.

Sobretudo se forem pessoas gastadoras, é muito importante seguires um método com regras, senão perdes o fio à meada, e comprometes qualquer segurança financeira que cries como trabalhador independente.

Eu sou muito poupadinha, ou melhor dizendo, tornei-me muito poupadinha, se tiver de comprar uma coisa fora do normal, demoro muuuuuito tempo a decidir o que vou comprar. Não vejo montras nem subscrevo newsletters que sinto que me incentivam a comprar coisas de que não preciso.


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